terça-feira, 2 de outubro de 2012

CIDADANIA NA ELEIÇÃO


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira




PROFESSOR DA UFPA ORIENTA COMO ELEITORES PODEM APLICAR BEM O VOTO

No dia 7 de outubro, milhões de brasileiros irão escolher os novos vereadores e prefeitos de suas cidades. Nesta época de eleição, sempre surgem várias dúvidas, principalmente, sobre em que candidato votar. Então, como o eleitor pode se informar sobre seu candidato? O cidadão sabe quais são os deveres de um prefeito ou de um vereador? Para o professor de Ciências Políticas, Edir Veiga Siqueira, a população precisa fazer um esforço para tentar eleger os candidatos que vão melhor representá-la.
Preparação – “Os eleitores devem acompanhar os debates e atentar que esta etapa é importante, não para saber os projetos do prefeito - pois esta não é a principal atribuição dele naquele momento -, mas para entender que o essencial de um debate é o confronto de ideias. Assim, é possível comparar os projetos e propostas e conhecer as fragilidades e pontos fortes de cada candidato”, indica o cientista político.
Edir Veiga também aponta os meios de informação como instrumentos de pesquisa sobre a história de vida e política dos candidatos. Entrando no site do Tribunal Superior do Eleitoral (TSE), por exemplo, é possível saber se um candidato está sendo processado, ou recorrendo a condenações. “Esse processo de informação é o mais difícil porque demanda tempo e certa estrutura do eleitor, mas também é o mais importante, pois vai produzir um parlamento melhor e de mais representatividade”.
Quantitativo - No Pará, existem cerca de cinco milhões de eleitores e, em Belém, aproximadamente 1 milhão. Segundo o professor, a maioria não faz ideia de quais são as obrigações de um prefeito ou de um vereador.
O prefeito é o chefe do poder executivo e da administração pública. É ele quem gerencia o Estado na dimensão municipal, no dia a dia de uma sociedade. É o prefeito que, por meio dos orçamentos plurianuais, transformados na lei orçamentária anual, enfrenta as assimetrias sociais. Ele também deve diagnosticar problemas como a questão viária, a segurança, a saúde, a educação, entre outros, e  produzir políticas públicas estruturantes.
Os vereadores possuem três principais funções: representar a sociedade civil, com demandas que ele transforma em projetos de lei para melhorar a saúde, a educação, o transporte etc.; fiscalizar o executivo na aplicação correta dos recursos públicos e, por fim, ser um síndico da comunidade que ele representa, para que problemas graves da sociedade sejam transformados em preocupações do governo.
Sistema eleitoral – Edir Veiga Siqueira afirma que muito ainda precisa ser feito em relação ao sistema eleitoral, e a principal mudança necessária é a limitação do número de candidatos. “Para as 35 vagas a serem preenchidas na Câmara Municipal de Belém, existem quase 800 candidatos. É impossível o eleitor se lembrar de centenas de candidatos. Esse número exacerbado dificulta até mesmo que o indivíduo lembre em quem votou. Pesquisas apontam que, num período de dois anos, os eleitores já esqueceram em quem votaram nas últimas eleições. Se tivéssemos um sistema que racionalizasse as informações, seria mais fácil se informar sobre eles”, explica.
O eleitor precisa ter um voto consciente e saber que aquele candidato vai representá-lo pelos próximos quatro anos. Veiga lembra aos eleitores que, em casos de crimes eleitorais de qualquer tipo, devem acionar os órgãos competentes. Tanto o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) quanto o TSE e até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão prontos para receber qualquer tipo de denúncia ou reclamação por parte dos eleitores sobre os candidatos.
Yuri Coelho – Assessoria de Comunicação da UFPA
Fontehttp://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=6641 Acesso em: 02 de Outubro de 2012.

QUESTÃO RACIAL E UNIVERSIDADE


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira




AÇÕES AFIRMATIVAS PARA NEGROS NO BRASIL:
AS COTAS RACIAIS DE ACESSO ÀS UNIVERSIDADES PÚBLICAS NO BRASIL

Profº Antônio Márcio Paiva

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, na ausência do pai, D. Pedro II, e pressionada pelos setores abolicionistas assinou a Lei Áurea, libertando os escravos no Brasil. No entanto, vale salientar que a lei áurea não extinguiu a escravidão no Brasil. O que ela fez foi tornar livres os escravos por um período de cem anos. Decorrido esse prazo, e somente no governo do presidente José Sarney, esta lei foi revogada e a escravidão declarada extinta definitivamente.
A redação “cautelosa” do texto legal demonstra a clara preocupação em aplacar os donos de escravos para que continuassem a apoiar o império vacilante, uma vez que esse grupo constituiu a base política do Segundo Reinado.
O governo procurava não descontentar a maioria dos proprietários. Dessa forma, os debates acerca da transição para o trabalho livre e as ações governamentais gravitavam em torno do quanto de indenização seria paga a esses proprietários.
Assim, se omitia dos debates os principais sujeitos atingidos pela escravidão no Brasil: os próprios escravos. Que no período pós-abolição foram “largados” à própria sorte pelo governo.
Não que não houvesse vozes favoráveis à integração plena dos ex-cativos à sociedade brasileira. Pois havia aqueles que criticavam fortemente as leis governamentais, como o deputado Joaquim Nabuco, um dos principais líderes do movimento abolicionista. Para ele, era urgente implementar um projeto que não só trouxesse a liberdade para os cativos como também permitisse integrá-los como cidadãos a sociedade.
No entanto, não foi isso que se viu. Após a abolição, a vida dos negros não sofreu muitas alterações, uma vez que não houve uma preocupação de integrá-los à sociedade. Alguns conseguiram empregos precários nas regiões rurais ou então se dirigiram às cidades, formando uma mão de obra marginalizada. Como o mercado de trabalho nas cidades não conseguiu absorver todo o contingente foi grande o número de desempregados e subempregados. Todos considerados, na época, preguiçosos, malandros e vadios pela parcela “branca” da sociedade. Esses juízos de valor que de certa forma persistem, numa evidência de que o preconceito é continuamente alimentado por uma situação de inferioridade social. A esse respeito escreve Florestan Fernandes:
“Como não se manifestou nenhuma impulsão coletiva que induzisse os brancos a discernir a necessidade, a legitimidade e a urgência de reparações sociais para proteger o negro (como pessoa e como grupo) nessa fase de transição, viver na cidade pressupunha, para ele, condenar-se a uma existência ambígüa e marginal.” (FERNANDES, 1978: 20).
Segundo Florestan, para os negros e os mulatos apenas duas portas se abriam, pois... 
“vedado o caminho da classificação econômica e social pela proletarização, restava-lhes aceitar a incorporação gradual à escória do operariado urbano em crescimento ou abater-se penosamente, procurando no ócio dissimulado, na vagabundagem sistemática ou na criminalidade fortuita, meios para salvar as aparências e a dignidade de homem livre” (FERNANDES, 1978: 20).
Portanto, pela interpretação de Florestan, a inexistência de um plano de incorporação do negro, elaborado pela sociedade que o libertou, com estratégias de aceitação social dos mesmos, foi fator importante que contribuiu para sua marginalidade social.
Dessa forma, fica claro que, o negro sofreu uma desvantagem histórica na sociedade brasileira. Primeiramente com a escravidão, e, posteriormente, mesmo com o fim da escravidão no Brasil, gerações inteiras foram colocadas à margem da sociedade. “As senzalas cederam lugar as favelas”.
Hoje, a herança da escravidão africana é visível. Entre 40% e 60% da população brasileira possui ascendência africana. Essa proporção de afrodescendentes transforma o Brasil no segundo país negro do mundo, superado somente pela Nigéria, por sua vez o mais populoso país africano.
Todos os indicadores sociais ilustram números que enquadram o Brasil como um país com uma segregação racial não declarada.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 53 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, 63% são negros. De 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, 70% são negros.
Em 1995, a expectativa de vida de um brasileiro, segundo o IBGE, era de 64 anos de idade para homens e 70 anos para as mulheres. No entanto, a pesquisadora Maria Inês Barbosa, da Universidade de São Paulo, constatou que, na cidade de São Paulo, os negros não chegam a atingir essa idade. Segundo ela, 63% dos homens negros e 40% das mulheres negras morrem antes de completar 50 anos.
No que se refere à área da educação a situação não é menos caótica. Do total dos universitários, 97% são brancos, sobre 2% de negros e 1% de descendentes orientais. De acordo com estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 1999, a taxa de analfabetismo é três vezes maior entre negros.
Nesse quadro é que se insere a política de cotas, como uma medida compensatória, que objetiva reverter esse quadro de injustiça e desigualdades raciais, a fim de se corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado.
Mas, ao contrário do que possa parecer, tais ações afirmativas não são concebidas gratuitamente pelo “governo”, não se constituem em uma benesse do Estado. São conquistadas pelos movimentos sociais engajados nas lutas por seus direitos.
As ações afirmativas também não são nenhuma novidade em nosso país. A primeira aprovação de uma lei de cotas remonta a 1931, no governo Getúlio Vargas, ainda hoje presente na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Num passado mais recente, na vigência da Constituição de 1988, introduziram-se cotas para portadores de deficiência, para a mulher, para empresas de capital nacional. Todas essas ações afirmativas não geraram polêmica, no entanto, quando às ações afirmativas são aplicadas para beneficiar a população negra, observa-se com frequência criticas.
Tal reação contrária ao programa de cotas para negros na universidade comprova de certa forma a existência de um racismo cordial no Brasil. Pois, enquanto a parcela negra da população mantinha-se “em seu lugar”, tudo estava bem. Agora com a visibilidade gerada pelo debate a respeito das cotas, a questão do racismo veio à tona. Ainda que o programa de cotas venha contribuir com conflitos nas relações raciais de forma declarada, isso pode significar o primeiro passo para a sua superação definitiva, pois só é possível superar um problema depois de identificá-lo. No caso brasileiro a visibilidade dada ao problema do racismo é fundamental, uma vez que, na sociedade brasileira o racismo é dissimulado, mascarado, velado, porém eficiente. É a “suposta” democracia racial. Como se pode constatar no fato de que o progresso educacional de um negro brasileiro é inferior ao do negro sul-africano da época do apartheid e dos negros nos Estados Unidos da época da segregação racial.
A legislação brasileira já reconhece a importância das ações afirmativas enquanto passo inicial para a incorporação plena do cidadão negro a sociedade. A lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, por exemplo, questiona e refuta a democracia racial, por conseguinte reconhece a dominação social que existe no Brasil, na medida em que reintera o papel do Estado, como mecanismo capaz de intervir e arbitrar favoravelmente em prol das garantias das oportunidades.

BIBLIOGRAFIA
DOMINGUES, Petrônio. Ações afirmativas para negros no Brasil: o início de uma reparação histórica. In: Revista Brasileira de Educação. Maio/Jun/Jul/Ago, 2005.
FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática,
1978, Vol. I e II. Jornal da USP, (1998). São Paulo, 5 a 11 out., p.7.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UNIFORME ESCOLAR DE 2013 - NOVA COR?


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira




PREZADO(A) ALUNO(A),

QUAL A COR DO SEU UNIFORME
PARA O ANO DE 2013?


AZUL? BRANCA? PRETA?...




VOTE!


terça-feira, 11 de setembro de 2012

QUESTÃO DO RACISMO NA LITERATURA


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira


Supremo faz audiência para discutir polêmica
 sobre racismo na obra de Monteiro Lobato


O Supremo Tribunal Federal (STF) vai realizar nesta terça-feira (11) uma audiência de conciliação para discutir a adoção de livros de Monteiro Lobato pela rede pública de ensino. O caso chegou ao STF por meio de um mandado de segurança apresentado pelo Instituto de Advocacia Racial (Iara) e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto. Ambos afirmam que a obra de Monteiro Lobato tem “elementos racistas”.


Em nota, o minsitro Luiz Fux, que irá presidir a audiência, afirma que se trata de "relevante conflito em torno de preceitos constitucionais, no caso, a liberdade de expressão e a vedação ao racismo".


Em 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que a obra Caçadas de Pedrinho não fosse mais distribuída às escolas públicas por considerar que ela apresentava conteúdo racista. O conselho apresentava trechos da obra para justificar o veto à obra: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão.”

Em seguida, o Ministério da Educação (MEC) recomendou que o CNE reconsiderasse a determinação. O conselho decidiu então anular o veto e indicar que as próximas edições do livro viessem acompanhadas de uma nota técnica que instruísse o professor a contextualizar a obra ao momento histórico em que ela foi escrita.

Com o mandado de segurança, o Iara pretende anular a última decisão do CNE. Eles pedem ainda a “imediata formação e capacitação de educadores” para que a obra seja utilizada “de forma adequada na educação básica”. No mandado de segurança, eles afirmam que o livro Caçadas de Pedrinho é utilizado como “paradigma” e que essas regras devem nortear a aquisição, pela rede pública de ensino, de qualquer livro literário ou didático que contenham “qualquer forma de expressão de racismo cultural, institucional e individual”.



Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/supremo-faz-audi%C3%AAncia-discutir-pol%C3%AAmica-racismo-obra-monteiro-lobato.html Acesso em: 11 de setembro de 2012.



CONSELHO ESCOLAR



GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
EEEFM MARIA GABRIELA RAMOS DE OLIVEIRA
CONSELHO ESCOLAR



EDITAL DE CONVOCAÇÃO
Nos termos da Lei Complementar n° 06, de 27/02/91, convoco os MEMBROS EFETIVOS E SUPLENTES do Conselho Escolar a participarem da reunião, que se realizará no dia 12/09/2012, às 18:30 horas no Laboratório de Informática.
                                                                     
        Belém, 11 de Setembro de 2012.



Antonio Márcio Brasil Felix Paiva
Coordenador


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

EVASÃO ESCOLAR NA EJA


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira


NADA DE NOVO NO FRONT ESCOLAR


Em seu romance "Nada de Novo no Front", o alemão Erich Maria Remarque traz como pano de fundo de sua trama a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O personagem principal é "Paul Bäumer", um jovem soldado raso a quem o autor empresta a função de porta-voz de uma crítica social, que durante o contexto da guerra denunciava não apenas os horrores dos conflitos, mas a estupidez das sociedades europeias (particularmente de sua pátria, a Alemanha), que insistiam em adiar o fim da guerra, haja vista que o resultado catastrófico (a morte de mais de oito milhões e meio de soldados – sem computar os civis) já se podia antever pelo nível de destrutibilidade absurdamente elevado que representaram as primeiras refregas soldadescas no front.

Num dado momento da narrativa, o protagonista Paul Bäumer reflete sobre como sua geração foi arregimentada para as frentes de batalha, onde, no primeiro entrevero com o inimigo, viu-se amadurecida a ponto de abandonar a sensaborona promessa iluminista apregoada pelos professores colegiais. Diz-nos, a propósito:

Os professores deveriam ter sido para nós os intermediários, os guias para o mundo da maturidade, para o mundo do trabalho, do dever, da cultura e do progresso, e para o futuro [...] Mas o primeiro morto que vimos [no front] destruiu esta convicção. Tivemos que reconhecer que a nossa geração era mais honesta do que a deles; só nos venciam no palavrório e na habilidade. O primeiro bombardeio nos mostrou nosso erro, e debaixo dele ruiu toda a concepção de mundo que nos tinham ensinado (REMARQUE, 1981, p. 16).

Sem ser indiferente aos percalços da escola, Erich M. Remarque denunciou-lhe o papel alienante, pois mesmo em uma Alemanha prestes a sujeitar suas hostes juvenis à carnificina da guerra, os professores teimavam em lhes ensinar coisas tão distantes da realidade mais imediata, que não demoravam a cair em completo descrédito. Bastaram os primeiros zunidos ensurdecedores caírem do céu, ultimando em estrondosa materialidade vista, por todo o front, na forma de crateras, enormes crateras em cujo seio irrompiam corpos crestados das primeiras vítimas reais da ilusão colegial. Bastou o contato ruidoso com a realidade da guerra, bem distante das formulações filosóficas, para que a maioria dos soldados alemães despertasse de seu sonho juvenil.

Num contexto belicoso dessa magnitude ou mesmo durante os longos anos que o precederam, a escola deveria atender às necessidades prementes da sociedade de então, insuflando, como era o caso da Alemanha, no espírito de uma geração inteira de jovens soldados a coragem e o altruísmo pátrio. Permita-nos lembrar que essa alienação escolar tratada na obra de Remarque não é algo estranho nos dias de hoje. Mesmo que vivamos fora do contexto real da guerra, as dificuldades cotidianas não deixam de ter certa conotação. Os fronts de hoje não são bem as planícies francesas e alemães que se tornaram palcos de matança naquele início de século. Apesar de o entorno da escola pública não se parecer com Verdun, as trincheiras estão por todo lado e à vista de quem se digne a olhar também para além de páginas de um regimento escolar ou de volumosos livros didáticos.

É por essa razão que "Nada de Novo no Front" nos antecipa, talvez, uma lição, a qual, se realmente fôssemos levá-la a sério, evitar-nos-ia o constrangimento, que tanto nos fere o orgulho professoral, de sermos também responsáveis pelo distanciamento escolar da vida cultural e social dos alunos. Portanto, independentemente de o contexto histórico ser belicoso ou não, a lição que poderíamos extrair dessa obra é a de que a escola deveria preparar os indivíduos para o “pior”, sem lhes esgotar, contudo, a esperança de viver em um mundo melhor; dotando-lhes de um certo espírito austero, ou melhor, de condições morais e intelectuais (culturais) favoráveis às exigências do mundo do trabalho e da vida pública sob as mais diversas circunstâncias.

O distanciamento da realidade social e cultural extramuro – esta bem mais pertinente à vida dos alunos – é o que, de certo modo, inviabiliza a escola pública nos dias hodiernos. Senão, vejamos a situação dos alunos do turno da noite, em especial dos que cursam séries relativas à Educação de Jovens e Adultos - EJA. A cada início de ano letivo muitos ex-alunos retornam à escola. As razões desse retorno (mais ou menos demorado) são inúmeras, indo além do que possamos, juntos, conjecturar. Uma prova disso são os corredores imersos no burburinho; vistos repletos de gente apressada, parte da qual vinda do trabalho, para não perder o início das aulas. Nas salas, a assistência profusa de alunos é envolvente e contagiante; os menos convictos logo se inebriam de esperança e já não sabemos quem realmente apresenta espírito resoluto ante o prenúncio das batalhas acadêmicas.

Muitos estão prontos para assumirem seus postos. Caderno e caneta à mão, ansiosos por enfrentar quem quer que seja o "inimigo" - o cansaço, as atribulações do meio urbano, o longo período afastado dos "bancos" escolares etc. A formação nos fronts é apenas uma questão de tempo. Logo chegará a primeira avaliação bimestral. Mas, enquanto essa batalha não se entremostra no horizonte mais próximo, ocupam-se, os alunos, apenas com seus sonhos, alguns dos quais projetos altaneiros que chegam às raias fanfarronescas. Daí, talvez, o burburinho febricitante a que nos referimos acima tomando os corredores antes e depois das aulas.

O retorno massivo de alunos faz-nos lembrar, de passagem, da parábola do filho pródigo, mas, ao contrário do desfecho bíblico, parte daqueles que retornaram à escola logo irá evadir; desertar do front da primeira batalha real da vida escolar. Seja um cálculo, uma redação de quinze linhas, uma leitura dirigida, um seminário, sejam razões extraescolares (trabalho, família etc.), muitos capitulam seus sonhos sob as primeiras "rajadas de metralhadoras da artilharia inimiga".

Estamos no início do segundo bimestre, mas já é visível a ausência de muitos alunos. Há muitas cadeiras vazias, inclusive. Nos corredores, míngua aquele fluxo vivaz de apresto letivo. O silêncio e a quietude no ambiente escolar são os cansados arautos que, em todo meado de ano letivo, costumam-nos alertar: muitos abandonaram o caminho, cujos primeiros passos mal haviam sido dados.

Se não há nada de novo no front escolar, resta-nos antecipar às investidas "inimigas". Uma das "armas" contra o aumento da evasão escolar é desenvolver estratégias que ensejem a (re)integração do aluno à comunidade escolar, para que ele ressignifique sua vida pelo concurso de valores, crenças e práticas sociais positivos desenvolvidos também no contexto escolar. Mas, para reintegrá-lo, é preciso conhecê-lo; é preciso saber quais são suas aspirações, inclinações culturais, dotes intelectuais, industriais etc. Sem tais informações, a escola continuará a assistir ao fenômeno da evasão escolar, esse inimigo conhecido de todos nós, ameaçar de morte os sonhos de sucesso dos alunos, dos professores e de toda a comunidade escolar, que permanecerá perdida em alguma trincheira no front da vida sem muito do que se orgulhar.


André Pureza
Diretor


REFERÊNCIA

REMARQUE, Erich M. Nada de novo no front. São Paulo (SP): Abril Cultural, 1981.




GRÊMIO ESTUDANTIL - Legislação


Secretaria de Educação do Estado do Pará
EE Maria Gabriela Ramos de Oliveira



LEGISLAÇÃO FEDERAL
GRÊMIO ESTUDANTIL


                           Obs.: documento disponível em http://www.uje.com.br